Danilo Sampaio

A voz dos Inanimados

E o círculo sob a parede passou

Apontando para o que não fica parado

Voltou do começo muito apressado

Realmente importa? Isso é o que eu sou

 

Dias cheios e mesas das mais fartas

Jantando juntos todas as quartas

Reuniões e cochichos nos quartos

Guardando as memórias em suas fotos

 

Salvei as últimas vozes transmitidas

Para quem falou “tchau, eu te amo”

Nunca pensaria ser a última despedida

Um clique no gancho me indica desamo

 

Na estante eternamente sozinho

Eternizando ideias não apagadas

Relatando paixões abandonadas

Professor de luz, porém sem caminho

 

Servi as mãos de muitos malfeitores

Consumei vitalidade de infratores

Disparei sonhos e consumi finais

Já não posso esconder dores reais

 

No calor de belos dias vinham a mim

Meu azul alegrava as grandes famílias

Hoje esverdiei-me, sem vida, sem fim

Onde já fui bem pisado não há ladrilhas

 

Eu encontrei uma solução para a dor

Fiel aos fiéis, com pensares sagrados

De joelhos a confessar teus pecados

Meu púlpito só, meu reino sem louvor

 

Compartilhando o mundo inteiro

Integrado a tudo, somos estrangeiros

Sobre ares, mares, tudo em um papel

Em um paraíso mundano sou o réu

 

Pedras frias de mármore nomeadas Uma vida fervorosa, escrita em flores

Ossos dando vida às mortes deixadas

Um crepúsculo de finitos amores

 

Se cada cada vida nos leva ao comum

Então, mesmo diferentes, somos todos um.