Carlos Lucena

FLORES DORMENTES

PÁSSAROS DORMENTES


Flores murchas, machucadas
Nos canteiros são veladas
Quase vivas
Quase mortas
Presas nas suas crisálidas 
Sem jardins e sem jasmins 
Na poeira devastadas
E as paredes retorcidas 
Prende até os querubins.
E nos jardins de puro aço
Onde pousam pássaros dormentes
Aterrissam inconsequentes 
A dor que lhe está no peito
Mas o próprio peito não sente
Porque o anestésico da pólvora 
Ignora a agonia presente.