Hoje esperei pouco.
Não presentes, não discursos, não grandes declarações.
Esperei o quase nada
que, vindo de certas pessoas, é quase tudo.
Uma palavra.
Um som.
Meu nome atravessando a distância.
O telefone acendeu algumas vezes...
Engraçado como a esperança
ainda corre para a tela
antes dos olhos.
Mas há dias em que o silêncio
também encontra maneiras
de fazer barulho.
E fez.
Vieram sinais,
movimentos,
pequenas ausências anunciadas
por uma máquina
que não sabe o peso das coisas.
Fiquei olhando para aquela luz
como quem espera encontrar uma janela
e descobre uma porta se fechando.
Talvez ninguém tenha percebido.
Afinal, certas dores
não quebram copos,
não derrubam paredes,
não fazem escândalo.
Só encontram um homem
sentado em algum canto
tentando entender
como pode caber tanta falta
dentro de palavras
que nem chegaram ser ditas.
E o mais estranho
é que eu teria aceitado tão pouco.
Tão pouco.
Hoje, teria sido tudo.