unknown lover

Curta-metragem

O externo é uma crosta, uma casca.

Uma camada que reveste tudo aquilo que se passa aqui dentro, escondendo fissuras que ninguém vê e pensamentos que já não encontram onde repousar.

O quão perturbada uma mente pode ficar?

Saudades. Sim, saudades de uma sanidade perdida.

Mas será intrínseco ao ser humano perdê-la ao longo da vida adulta?

Até mesmo os monólogos e as reflexões acerca do mundo se foram. Em seu lugar, apenas um curta-metragem dos meus males, que insiste em rebobinar.

Tenho dúvidas infinitas, mas já não me causam nada — ou quase nada. Com certeza, penso demais.

Sinto, em cada nervo do corpo, o quanto tem sido danoso alimentar todos esses sentimentos negativos. Eles se entranham pouco a pouco, ocupando espaços que antes pertenciam a outras coisas.

Essa confusão me devasta. E eu, portador dela, sinto-a em mim e, infelizmente, a reflito nos outros.

Talvez seja essa a parte mais perturbadora: perceber que algo dentro de nós se transforma enquanto, por fora, a casca permanece quase intacta.

Entre suspiros de desabafo, trago ao fim esta escrita.

E, no cigarro, dou-lhe o último trago.