O externo é uma crosta, uma casca.
Uma camada que reveste tudo aquilo que se passa aqui dentro, escondendo fissuras que ninguém vê e pensamentos que já não encontram onde repousar.
O quão perturbada uma mente pode ficar?
Saudades. Sim, saudades de uma sanidade perdida.
Mas será intrínseco ao ser humano perdê-la ao longo da vida adulta?
Até mesmo os monólogos e as reflexões acerca do mundo se foram. Em seu lugar, apenas um curta-metragem dos meus males, que insiste em rebobinar.
Tenho dúvidas infinitas, mas já não me causam nada — ou quase nada. Com certeza, penso demais.
Sinto, em cada nervo do corpo, o quanto tem sido danoso alimentar todos esses sentimentos negativos. Eles se entranham pouco a pouco, ocupando espaços que antes pertenciam a outras coisas.
Essa confusão me devasta. E eu, portador dela, sinto-a em mim e, infelizmente, a reflito nos outros.
Talvez seja essa a parte mais perturbadora: perceber que algo dentro de nós se transforma enquanto, por fora, a casca permanece quase intacta.
Entre suspiros de desabafo, trago ao fim esta escrita.
E, no cigarro, dou-lhe o último trago.