E eis a Veneza de Monet em contraluz
Aqui onde o mármore treme ao beijar o mar,
onde o tempo, nos canais, aprende a sussurar
que a vida sem amor será pesada cruz.
E nas águas por onde Veneza nos conduz
Navegam moliceiros a relembrar
— gôndolas de saudade a divagar —
que o que é vago sentimento não seduz.
Ó Romântica Veneza, véu de etérea cor!
És ponte que unifica duas margens,
E junta duas almas num turpor ...
Mas eu, cansado, divagando tuas miragens
Nunca vi cidade, não vi Céu com tal ardor
Como aquele que me deu as tuas margens ...
(Ricardo Maria Louro numa Gôndola em Veneza)