Poema: O Nome que o Tempo Usa
O que é uma data senão cicatriz de luz?
Um número que pousa e vira morada.
Ela abre portas, fecha janelas,
e inventa começo onde havia espera.
Não é só dia riscado no papel:
é o instante que decide virar memória.
Ela carrega riso e também silêncio,
o peso do adeus e o voo do recomeço.
Habita o coração antes do calendário,
vive no peito antes de virar registro.
Pode ser acaso vestido de destino,
ou escolha que a gente batiza de marco.
No fim, data é o que a gente faz dela:
um espelho, um prazo, uma promessa.
Ela não mede só o tempo que passa,
mede o quanto a gente ousa sentir.
E quando o mundo esquece o dia exato,
a alma ainda lembra por que ele importou.