Cauã Santos

Poeira da rotina

Sentado,
deixo a raiva sair
para o canto do quarto.

Labutando de sol a sol,
fiquei cego pela poeira
da rotina.

O corpo seguiu
o ritmo dos pés.
Nessa casa vazia
o eco dos passos parecia o próprio coração.

De lá,
pra cá,
de cima,
pra baixo,
pra frente,
pra trás.

O corpo estava cansado,
vivendo no automático.

Passando pelos cômodos,
olhei para a xícara
sobre a mesa.
Tomei um café.