Aos humildes
Humildes, ouvi estas palavras.
Vós sois semelhantes ao nosso Senhor,
e talvez ainda não o saibais.
Ele se entregou ao sofrimento,
embora tivesse poder para subjugá-lo.
Não porque fosse fraco,
mas porque sua força não era deste mundo.
Assim também vós:
não retribuais a violência com violência,
nem o ódio com ódio,
nem a injúria com outra injúria.
Se sois capazes de vos defender,
não façais da vossa força instrumento de vingança.
Não é fraqueza aquilo que nasce da escolha pelo bem;
é domínio de si.
O mundo poderá olhar para vós
e chamar de fraqueza aquilo que é mansidão.
Poderá confundir silêncio com covardia,
paciência com submissão
e bondade com incapacidade.
Mas não vos deixeis enganar.
A sabedoria de Deus confunde a sabedoria dos homens,
e aquilo que parece pequeno aos olhos do mundo
pode ser grande diante dos céus.
Pois, no Reino de Deus,
a força não se mede pelo poder de ferir,
mas pela capacidade de amar quando se é ferido;
não pela glória alcançada,
mas pela humildade com que se serve;
não pelo domínio sobre os outros,
mas pelo domínio sobre si mesmo.
Ali, a bondade é força.
A paciência é força.
A benevolência é força.
E, acima de todas elas,
a humildade e o amor são força.
Por isso, não abandoneis a humildade
para parecerdes fortes aos olhos do mundo.
Ser humilde é aceitar tornar-se pequeno
quando o mundo exige grandeza.
É renunciar ao aplauso
quando o mundo exige glória.
É suportar a injustiça sem fazer dela desculpa para praticar outra injustiça.
É escolher o bem
mesmo quando o mal parece mais fácil.
Não percais, portanto, a humildade que recebestes,
por medo de parecerdes fracos diante dos homens.
Pois aquele que abandona a humildade
para conquistar o mundo
pode acabar perdendo aquilo que realmente importa.
O Reino dos Céus pertence aos que se fazem pequenos.
Não busqueis neste mundo a glória que passa.
Não façais da força o vosso deus.
Não vos embriagueis com o reconhecimento dos homens.
Buscai, antes, aquilo que não se perde.
Escolhei o caminho estreito.
Entrai pela porta estreita.
Pois larga é a porta que conduz àquilo que o mundo chama de grandeza,
mas estreita é a porta que conduz à Vida.
E, se para atravessá-la for necessário tornar-vos pequenos,
tornai-vos pequenos.
Se for necessário renunciar à glória,
renunciai.
Se for necessário amar quando seria mais fácil odiar,
amai.
Porque, no Reino dos Céus,
os últimos serão primeiros,
os pequenos serão grandes,
e aqueles que o mundo julgou fracos
poderão descobrir que encontraram
a verdadeira força.
Não busqueis, pois, ser grandes aos olhos do mundo.
Buscai ser humildes diante de Deus.
Porque o Reino dos Céus
é dos humildes.