Num agosto qualquer, num papel singelo,
Palavras cruzavam timidez e encanto,
Traçando, em cartas, o primeiro manto
De um laço puro, doce e belo.
No vai e vem do correio, um gesto calado
Segredos guardados em cada canto,
Sorrisos escritos com riso e pranto,
Que o tempo guarda em tom amarelado.
Era amizade, era paixão contida,
Amor pueril, um sonho interrompido,
Que não viveu a sua despedida.
Mas vive em mim, guardado e sem ruído,
Como um suspiro preso em outra vida,
Num velho papel, jamais esquecido.