Fábio Alves Leão

SONETO DE UM PAPEL AMARELADO

Num agosto qualquer, num papel singelo,

Palavras cruzavam timidez e encanto,

Traçando, em cartas, o primeiro manto

De um laço puro, doce e belo.

 

No vai e vem do correio, um gesto calado

Segredos guardados em cada canto,

Sorrisos escritos com riso e pranto,

Que o tempo guarda em tom amarelado.

 

Era amizade, era paixão contida,

Amor pueril, um sonho interrompido,

Que não viveu a sua despedida.

 

Mas vive em mim, guardado e sem ruído,

Como um suspiro preso em outra vida,

Num velho papel, jamais esquecido.