Bagunçado o pensamento.
Bagunçado o momento.
Às vezes, a possibilidade do fim parece uma perda imensa.
Mas como perder o nada pode ser tão vazio?
Há, no momento, uma urgência rápida em aceitar o fim,
antes mesmo de lembrar daquilo que ainda poderia ser.
Percebo que não se perde senão aquilo que um dia existiu.
Ainda assim, pesa mais aquilo que poderia ter sido.
Pesa o que poderia ter sido adiado até este momento.
Pesa o que ainda poderia nascer de um pensamento.
Na tentativa de aceitar as urgências da vida,
as lembranças tornam-se presentes,
e o presente se enche de possíveis futuros.
Talvez o luto não seja pelo que acabou,
mas pelo que nunca encontrou tempo para começar.