uma dor sem pretexto
como se eu não tivesse direito
lamentável, já não chega a ser insuportável
um corpo desgastado pelo processo,
não reage como antes
é como uma gota caindo repetidamente na testa
como o tic-tac incessante de um relógio
o desgaste é tanto que qualquer estímulo vira dor
talvez as horas não passem como deveriam
sinto-me planar pelo tempo
sem destino, nem linha de chegada
o medo já não me convence e por consequência
não me protege
e quando até o medo desiste de cumprir seu papel
eu me pergunto
se deus tudo pode
por que não atendeu minha prece?
como se eu não tivesse direito
não foi por capricho
foi um belo pedido de socorro
sem respostas, a vida continua
os dias seguem amanhecendo ensolarados
e terminando em chuva
já não dói,
corrói.