Ah! Jamais vi teus dedos delicados,
Buscarem os caminhos de minha mão,
E teus olhos negros, belos e afastados,
Nunca dedicaram ternura ao meu coração.
Recordo-te em silêncio todas as noites,
Como quem adora um singular arrebol,
Enquanto teus passos, suaves açoites,
Logo se distanciavam sob o dourado sol.
Teus rubros lábios, joias dos sonhos meus,
Jamais me roçaram, e me dão padecer;
E, solitário, sonhando com amores teus,
Sigo trazendo em versos o meu sofrer.
Minha vida, envolta em poemas e velas,
É de um homem sem porto ao entardecer,
E mesmo inalcançáveis, esperanças belas
Ainda hoje fazem minh’alma por ti viver.