Fabricio Zigante

ESPERANÇAS BELAS

Ah! Jamais vi teus dedos delicados,

Buscarem os caminhos de minha mão,

E teus olhos negros, belos e afastados,

Nunca dedicaram ternura ao meu coração.

 

Recordo-te em silêncio todas as noites,

Como quem adora um singular arrebol,

Enquanto teus passos, suaves açoites,

Logo se distanciavam sob o dourado sol.

 

Teus rubros lábios, joias dos sonhos meus,

Jamais me roçaram, e me dão padecer;

E, solitário, sonhando com amores teus,

Sigo trazendo em versos o meu sofrer.

 

Minha vida, envolta em poemas e velas,

É de um homem sem porto ao entardecer,

E mesmo inalcançáveis, esperanças belas

Ainda hoje fazem minh’alma por ti viver.