Vou colocar o meu nome entre os homens que nunca foram escolhidos.
Há muito compreendi que o amor não se perde; apenas muda de morada. Nunca habitou em mim. Sempre passou diante da minha porta como um estranho educado, retirando o chapéu antes de continuar o caminho para outra vida.
Há quem guarde fotografias, alianças ou cartas perfumadas. Eu guardo despedidas que aconteceram antes mesmo do primeiro toque, silêncios que aprenderam o meu nome apenas para nunca o pronunciar.
Com o tempo deixei de invejar os que são amados. Existe uma ingenuidade quase sagrada em acreditar que dois abismos podem salvar-se mutuamente. Eu conheço melhor a natureza humana. Sei que, por vezes, até o afecto é apenas uma forma mais delicada de abandono.
Já não espero reciprocidade. A esperança é um luxo reservado aos que ainda confundem o coração com o destino.
E, se alguma dor ainda permanece, não é por nunca terem ficado. É porque um dia acreditei que alguém pudesse reconhecer em mim a mesma ruína que reconheço quando olho para o espelho.
Hoje caminho em paz ao lado do amor não correspondido.
Depois de tantos anos, deixou de ser uma tragédia.
Tornou-se a única companhia que nunca me abandonou.