Jairo Cícero

Contemplação do Infinito

 

Sentada na rocha que o tempo esculpiu, 

Observo o infinito que diante de mim se desenrola,

Um oceano que nunca termina, 

Onde o céu se beija com a água numa dança milenar.

 

Os meus cabelos dançam com o vento salino, 

Levados pela brisa que vem do horizonte distante, 

E eu, pequenina nesta vastidão, 

Encontro-me inteira nesta imensidão.

 

A rocha sob mim sussurra histórias de séculos, 

De tempestades que passaram, de silêncios que ficaram, 

E eu aqui, apenas observando, 

Compreendo que sou parte deste ciclo antigo.

 

O oceano não responde minhas perguntas, 

Mas tampouco preciso de respostas agora,

A verdade está neste silêncio profundo, 

Nesta paz que só a natureza sabe oferecer.

 

Meu corpo se repousa, mas minha alma viaja, 

Pelos azuis infinitos, pelas nuvens que vagam, 

Pelos mistérios que habitam as profundezas, 

E nas respostas que o vento traz sem palavras.

 

Aqui, diante deste mundo sem limites, 

Entendo que sou livre, 

Que minhas preocupações são tão efêmeras quanto a espuma, 

E que a vida verdadeira pulsava neste exato momento.

 

Sou uma com a rocha, a brisa e a vastidão, 

Uma pequena nota numa sinfonia cósmica, 

E é precisamente nesta insignificância perfeita, 

Que encontro a minha maior significância.