Marcelo Veloso

À MERCÊ DO CENÁRIO

A cena que encena – é sina,

não apequena, nem condena – ensina,

dá o nome, consome – confirma,

não come, nem some – afirma.

 

O espelho mostra a face,

a sombra cobre a luz,

a voz , então, silencia.

A rotina dá um enlace,

e o esforço então traduz

num escopo de ironia.

 

A cena que encena – é parca,

não apequena, nem condena – embarca,

dá o nome, consome – atenua,

não come, nem some – é crua.

 

O suor escorre no rosto,

o calor esquenta a moleira,

O pensamento, então, dispersa.

O costume vira um desgosto,

levando, sem eira nem beira,

à uma fracassada conversa.

 

A cena que encena – é plágio,

não apequena, nem condena – de tão frágil,

dá o nome, consome – é pária,

não come, nem some – é mercenária.