Eu prometi
que nenhum outro poema seria sobre você.
Mas algumas datas
têm o estranho costume
de desfazer promessas.
Hoje seriam cinco anos de nós.
O tempo seguiu.
Eu também.
Mas esta data sempre encontra o caminho de volta.
Você já não vive nos meus dias,
apenas nas pequenas distrações da alma:
num nome,
numa canção,
num pedaço de céu.
“Você é o meu azul” nunca mais terá outro significado.
E eu ainda não sei
se um dia deixarei de procurar você
em quem nunca foi você.
Talvez existam amores
que não pedem para voltar.
Voltam apenas
quando uma data
resolve chamá-los pelo nome.