João da Paraíba,
Maria das Alagoas,
Conheceram-se na Central.
Juntaram os trapos num barraco
Em Vigário Geral.
- Nada mal...
João tinha um sonho:
Um radinho de pilha;
Igual seu ‘cumpade’ Severino
- Em Pocinhos -, que lhe emprestava
Um “tempim”de nada...
Economizaram e...
Sonho realizado!
Dia e noite,
Noite e dia,
Seu radinho ele ouvia:
Valdick Soriano, Nelson Gonçalves,
Paulo Geovani “Chôu”.
- Maria limpa o rádio!
Disse João,
Ao sair p’ra construção.
Maria pegou uma bacia
(Único presente da tia Juventina
Antes de morrer com os pulmões fracos),
Água, detergente
E cui-da-do-sa-men-te o rádio mergulhou.
João chegou, perguntou
- Ta limpo, fia?
- Inté dimais!
- Foi cum franela?
- Água e sabão
- Não!!!...
Pegou o rádio, lívido...Não tocava...
Vizinhos...Polícia...
Na delegacia, Maria,
Buchuda, lábios cortados,
Chorosa, olho inchado:
- Dotô...Num intindi!
Fiz o qui me mandô!
Num prende não Sô Doto...