Como despertou a minha alteza nesta manhã? Radiante... ou apenas disfarçada pela antiga tragédia de existir? Sempre desconfiei que a verdadeira beleza não nasce da perfeição, mas da estranha coragem de abrir os olhos e, apesar de tudo, continuar iluminando o mundo.
Imagino o sol hesitando antes de romper o horizonte, como um velho rei que, pela primeira vez, teme o próprio trono. Talvez tenha pedido licença para erguer-se acima da sua cabeça, não por reverência ao céu, mas por reconhecer que há rostos diante dos quais até a luz parece uma imitação imperfeita.
É curioso... passamos a vida acreditando que o amanhecer salva os homens, quando, às vezes, basta uma única presença para justificar a existência da manhã.