Talvez eu me arrependa para sempre; dói demais. Em qualquer momento eu deixava de pensar em você — até nas pequenas coisas: lavando a louça num domingo à noite, imaginando nós dois planejando a semana, quem deixaria as crianças na escola, onde passaríamos as férias de inverno. Dilacerou meu peito. Sei que lhe dei um sabre sobre o peito e senti esse mesmo sabre perfurar todos os sonhos e sentimentos que cultivei. Sei também que talvez tudo tenha sido loucura da minha cabeça, e ainda assim dói: como se algo em mim tivesse se esvaído. Meu coração me castiga a cada dia nesta casa vazia. Você dizia que era grudenta, que amava demais — então por que sinto que raramente me demonstrou isso? Houve momentos em que fui um idiota; você, por sua vez, se esvaiu como vento, sem adereços. Escrevi dezenas de poesias com minha alma e, mesmo assim, nunca foi suficiente. No fim para você, não bastei á ser uma criança perdida, que deveria ser levada de volta à mão dos pais. Às vezes me pego pensando