davix2

Manifestação

Igual fantasma, penso em meu nascimento.
Creio que fui fadado a contemplar o meu próprio início.
Meu corpo: uma ausência de memórias daquela época.
Buscando rumo em cartas renunciadas à corrente.
Em tons de azul, estava a construir um vivente.
Mas a graça de lembrar-se se afoga nelas

Antes de possuir uma voz,
Era praticante da teimosia; esse foi meu primeiro clarão.
Restou-me perseguir um princípio, a tolice da angústia.
Argumentando com o silêncio, como quem espera uma resposta.
Lavrando o vazio antes que ele me nomeasse.
Por onde tudo começou.

E na nuvem que foi minha infância,
Eu chego feito raio e te espanto em última instância,
Como fulgor, como autor e com vigor,
Sendo uma dramaticidade, a própria flama da poesia,
Minha alma prodigiosa, imune à febre do crescer,
Agora, submetendo-me apenas ao florescer.

Mesmo assim, com a juventude suando de meu corpo,
E o Redentor vasculhando o que sobrou
Continuo a existir para incendiar.
À maneira de um fenômeno, sou a fonte de minha lira.
Viverei enquanto compuser, enquanto criar.
Sou água antes do rio, sou sujeito de amor.

Portanto, no último ato de minha voz,
Exclamarei.
De jeito melodramático, performarei em estilo de rei.
Faço desta minha palavra.