Às vezes acho que Deus não se esconde...sou eu quem caminha depressa demais.
Passo pelos dias como quem atravessa uma tempestade olhando apenas para os próprios pés, tentando sobreviver às contas, às perdas, às despedidas, às culpas... e esqueço de levantar os olhos para o céu que continua exatamente onde sempre esteve...
Tem noites em que o sol vai embora levando junto a coragem...
As luzes da cidade acendem, mas nenhuma delas ilumina o lado de dentro...
É nesse silêncio que eu converso com o invisível.
Não para pedir riquezas...
Nem respostas para todas as perguntas...
Só queria um pequeno sinal.
Algo que dissesse:
...Continua. Eu ainda estou aqui...
Porque existem dores que médico nenhum alcança.
Existem saudades que abraço nenhum consegue diminuir.
E existe um cansaço que não pertence ao corpo.
Pertence à alma.
Imagino como será quando, finalmente, eu encontrar essa porta...
Não uma porta feita de madeira ou ouro...
Mas aquela paz que faz a gente entender por que precisou atravessar tantos desertos...
Talvez eu descubra que nenhuma lágrima caiu sem ser contada...
Que nenhum silêncio passou despercebido...
Que nenhuma oração morreu antes de chegar ao céu...
Talvez eu entenda que Deus nunca teve pressa...
Porque quem constrói eternidades não trabalha com relógios...
E, quando esse dia chegar...
Não vou perguntar por que sofri.
Vou apenas descansar...
Como um viajante que passa a vida inteira procurando uma casa sem saber que ela sempre existiu...
E, pela primeira vez, o peso dos meus ombros vai desaparecer...
Não porque eu fui forte...
Mas porque, enfim, estarei diante d\'Aquele que carregou comigo tudo aquilo que eu acreditava suportar sozinho.
Até lá...
Eu continuo andando...
Mesmo sem entender...
Mesmo sem enxergar...
Porque existe uma esperança teimosa dentro de mim que insiste em acreditar que toda estrada percorrida com fé termina exatamente no mesmo lugar...na porta da casa de Deus.
Por Freddie Seixas