A distância que me coloquei de você, mesmo amando e querendo ficar, foi de tal forma dolorosa... Mas fui impedido, pois tinha um dever a cumprir. A saudade de minha casa, todos os dias, era o que corroía minha alma. Mas o que mantinha-me vivo era lembrar que, para onde pretendo voltar, tenho a minha Rosa Maria — aquela que, de manhã cedo, me acordava com o sorriso de uma mulher apaixonada.
Encontro-me a quilômetros, ou a milhas de distância de minha casa, em uma terra que não é minha, em uma luta que nem sei por que estou a lutar. Oh, minha amada, saudades de você e da nossa criança que ainda não conheci. Sei que retornarei logo aos seus braços, e faremos novamente de nossos domingos uma festa. Levarei você e minha querida mãe àquele parque de que tanto falamos. E, com meu pai, construirei o primeiro brinquedo de sua neta.
Mesmo eu estando com frio, me esquento na lembrança de teu amor. Mesmo estando com fome, me alimento na esperança de te encontrar. Mesmo estando com medo, me acalmo ao pensar em você. Lutarei mais por minha vida, para que eu possa estar ao teu lado logo, logo.
Minha garota, dei teu nome à minha arma, para que você lute comigo e massacre aqueles que tentam me matar. Deus sabe o quanto eu rezo para chegar vivo, te abraçar, me ajoelhar e te pedir em casamento à beira-mar.
Encerro esta carta, pois estarei indo a um combate do qual sei que sairei vitorioso...
(Esta carta foi encontrada intacta no bolso de um uniforme sem vida, guardando para sempre o eco de um amanhã que o destino insistiu em nunca deixar chegar).