Naomi

O Agora

O sol deita-se manso na parede,
deshaia o dia em linhas de ouro fino.
A pressa do mundo perde a sede,
ao compasso do vento, tão cativo.
Na chávena fumega o tempo lento,
um livro aberto aguarda na janela.
Não há grande mistério no momento,
apenas a vida a ser mais bela.
Viver é este ofício de moldar
o espanto que renasce no detalhe.
É ver o mar num copo a transbordar,
antes que a noite o silêncio espalhe.