A realidade dança em olhos distintos,
é névoa, é bruma, são tons infinitos.
O que vejo em mim, você pode negar,
cada mente um mundo a reinterpretar.
É filtro de alma, é sonho acordado,
é dor que persiste num riso forjado.
É luz que incide com outra intenção,
reflete o espelho da percepção.
A verdade absoluta? Talvez nem exista,
pois cada certeza é também uma pista
de que o real é só projeção,
um quadro pintado pela emoção.
Na mente, o universo ganha outra forma,
o caos se ordena, a lógica se entorna.
Vivemos sentidos, memórias e fé,
no palco invisível que o tempo quer.
E assim, cada ser, em seu modo de ser,
cria um real que não dá pra entender.
Pois tudo que é visto, ouvido ou sentido,
é só uma versão do que é dividido.
A realidade? Um toque sutil,
que muda de cor no corpo febril.
Subjetiva, etérea, viva e fugaz,
ela é o que somos e nada mais.