Evela Magno

Arievilo

 

Hoje prometi lembrar apenas da beleza do amor que vivi.

Para quem nunca amou, como explicar?

É um sentimento que transborda. Havia horas em que ela me mordia, como quem desejasse guardar um pedaço de mim em si.

E eu a abraçava demoradamente, não para prendê-la, mas para sentir o perfume que fazia do mundo um lugar inteiro.

Havia também os silêncios. Eles diziam tudo. Bastava um olhar para que as palavras traduzissem o desejo.

Já habitei um paraíso. Conheci o abraço que fazia o tempo parar. Conheci a companhia que transformava o instante em eternidade.

Às vezes, ainda sinto a delicadeza daquilo que um dia nos uniu. E essa lembrança já é uma forma de luz.

Talvez, desde o começo, eu soubesse que algumas flores desabrocham apenas para ensinar a primavera.

Ontem chorei. Houve em mim o desejo de gritar por sua ausência.

Mas a manhã chegou como chegam todas as manhãs: lembrando que, se existiram os caminhos que nos afastaram, houve também os que nos levaram ao encanto.

E esses, ninguém apaga.

Se alguém ainda não viveu um amor assim, espero que um dia viva. Porque há milagres que não pedem explicação.

Todo pequeno instante vivido com amor carrega dentro de si a dimensão de muitas eras.

Que privilégio foi sentir-me tão amada, enxergar o invisível refletido nos teus olhos.

A felicidade talvez não seja um lugar onde moramos para sempre.

Mas tê-la visitado, ainda que por um breve tempo, é infinitamente mais belo do que nunca ter vivido tantos momentos de amor.