Cauã Reymond

Nunca quis ser poeta

Nunca quis ser poeta,

com essas palavras confusas,

rimas, metáforas,

versos profundos.

 

Queria ser normal,

criando memórias comuns,

vivendo em rotinas,

correndo ao lado da multidão.

 

A normalidade afastou

as palavras que nascem

em ideias confusas,

deixando para trás o meu ser.

 

Queria ser lembrado 

pelas coisas que disse.

 

O desejo ardendo 

em meu corpo,

quero levar as minhas palavras

para alguém.

 

Tentei falar 

o que sentia dentro do meu peito,

como uma criança que foi esquecida 

em um parque,

ninguém quis me ouvir.

 

As palavras foram aos poucos,

guiando-me ao meu ser,

deixarei de seguir a multidão.

 

Nunca quis ser normal 

com essas rotinas confusas,

corridas fúteis, multidões vazias.