Eduardo Wartha

Versões

Para uns sou realidade; para outros, um sonhador.

 

Alguns me veem como sombra; outros me veem como luz.

 

Alguns me veem como diabo; outros me veem como cruz.

 

Para uns sou acompanhante; para outros, perseguidor.

 

Para alguns eu sou a chave; para outros, a prisão.

 

Para alguns eu sou a verdade; para outros, a ilusão.

 

Alguns me chamam de justiça; outros, de punição.

 

Alguns me chamam de problema; outros, de solução.

 

Fulano me vê como bolo; ciclano, como fatia.

 

Fulano me vê como tentação; ciclano, como sabedoria.

 

Talvez eu seja efêmero; talvez eu seja duradouro.

 

Talvez eu seja a refeição; talvez eu seja apenas a folha de louro.

 

Quem sabe eu seja o silêncio; quem sabe eu seja o alto-falante.

 

Quem sabe eu seja uma vida; quem sabe eu seja um instante.

 

Para uns eu sou o livro; para outros, o escritor.

 

Para mim eu sou uma pessoa; para você, só o autor.

 

Então, no fim de tudo, uma pergunta ainda perdurou: quem eu realmente sou?