Escrevo-te porque é o único modo
De te ter perto sem me despedaçar.
Quando teus abraços me faltam,
refugio-me nas linhas frias,
Onde a solidão é nossa única companhia.
Cada verso nasce da ausência,
Da distância que me corrói e não se vai.
Amar-te tornou-se um grito mudo.
Por isso faço dos versos
O túmulo onde guardo nosso adeus.
Não te poetizo por escolha,
Mas por desespero.
Há amores que não sobrevivem a vida,
Mas transbordam nos versos,
Como um lamento que nunca ouso soltar.
Tu és minha inspiração mais melancólica:
A que permanece,
A que não chega,
A que ensina
Que nem todo amor se vive,
Alguns apenas se escrevem...