Cada pena guarda um adeus jamais pronunciado,
cada voo atravessa jardins que florescem apenas na memória.
Ali, o tempo não caminha; apenas observa.
As cartas espalhadas sobre a pedra revelam destinos partidos,
amores que nunca alcançaram o amanhecer,
promessas dissolvidas na chuva das estações.
A corvina não canta.
Ela recolhe lágrimas invisíveis, transformando-as em estrelas ocultas
que apenas os corações feridos conseguem enxergar.
No umbral da alma, os sonhos não morrem.
Tornam-se névoa, tornam-se vento, tornam-se eco,
esperando que alguém os encontre entre as sombras.
E quando a última folha cai sobre a terra adormecida,
a corvina abre as asas em silêncio,
levando consigo tudo aquilo que o mundo chamou de perda,
mas que a eternidade conhece pelo verdadeiro nome: esperança.