Tenho medo
Das coisas
Que não fazem barulho.
O desabamento
Nunca começa
No teto.
Começa
Nas rachaduras
Que fingimos
Não ver.
Há dias
Em que sorrio
Como quem fecha
As janelas
Antes da tempestade.
Não porque acredito
Que ela vá embora.
Mas porque aprendi
Que nem toda batalha
Precisa ser travada
De peito aberto.
As pessoas
Chamam isso
De força.
Eu chamo
De sobrevivência.
Porque quem vive
Tempo demais
À beira do abismo
Aprende
Que cair
Nem sempre acontece
Quando os pés escapam.
Às vezes
É a esperança
Que perde
O equilíbrio.