Jairo Cícero

O Filme do Lô Borges

 

No tom sépia que o tempo envelhece,

Na capa de um disco, um filme se tece.

Lô Borges, ao centro, com sua guitarra,

A vida em acordes, o que a alma desgarra.

 

Dedos em transe, um som que flutua,

Enquanto um jato no céu se insinua.

Voo de lembrança, ou um anseio audaz,

Na tela da mente, o que ficou pra trás.

 

Carros antigos, na base, em parada,

Estradas percorridas, jornada traçada.

O elefante em passos lentos, um saber ancestral,

Testemunha quieta de um tempo irreal.

 

Entre arabescos, formas que se perdem,

Em labirintos da memória, que acendem.

A chama da vida, um padrão a desvendar,

A história de um homem, no seu próprio lugar.

 

\"Meu Filme\" Lô canta, em cor e em melodia,

Um roteiro sonoro, pura fantasia.

Cada imagem, um verso, um refrão a ecoar,

No palco da alma, seu filme a brilhar.