Teus cabelos negros,
como os rios do meu estado,
correm silenciosos pela memória
como águas que jamais aprendi a atravessar.
O sol em teus braços,
não apenas pelo símbolo,
mas pelo carinho que imagino existir neles.
Teu olhar tranquilo, sereno,
esconde coisas que ninguém sabe,
e eu, diante dele,
não sei o que pensar
nem o que imaginar de teus pensamentos.
Talvez enxergues apenas
a tragédia de ter ao lado
uma besta perdida como eu.
Talvez seja inocência minha,
mas a melancolia e a tragédia
são as certezas que me compõem.
Nem preciso de palavras
para mostrar o quanto fui péssimo naquele dia.
Ainda assim,
não acredito que penses algo ruim de mim.
Eu queria apenas o sorriso:
o sorriso da chance,
o sorriso de querer,
o sorriso de compreender.
Mas desejar isso de alguém
que mal sabe quem sou
é pedir demais ao acaso.
Pior ainda são os delírios,
as expectativas,
a agonia do tempo perdido
que eu poderia ter vivido contigo.
Só que a tragédia dentro de mim
fala mais alto
do que o tímido talvez
da felicidade que poderia existir nesta vida,
uma vida que, no fundo,
não precisava ser amarga.