Eduardo Wartha

Da mesma espécie

Mais um dia para suportar a vida, mais uma vez.

 

Será que eu mereço isso? Será que vale a pena o esforço? Talvez eu só esteja perdido.

 

Talvez eu tenha que explicar o inexplicável. Talvez eu seja mentalmente instável.

 

Talvez eu fique louco por achar que sou são. Mas não importa se é louco ou não; amanhã, às 6:00, ainda tenho que pegar o busão.

 

E, quanto mais eu penso, menos respostas eu consigo. Uma dúvida gera outra e, no fim, não sei por que sigo.

 

Só que, mesmo assim, eu faço. Às vezes, eu só queria um abraço.

 

E eu ofendo alguns e faço igual. Sigo na hipocrisia, porque isso já é normal.

 

Está todo mundo tão alienado que a gente até parece gado.

 

A gente trabalha para viver... Não. A gente vive para trabalhar, deixando um pedaço de papel dizer como minha vida será.

 

E tem tanta guerra, destruição na Terra.

 

Morre tanta gente. Quem arquiteta a guerra fica seguro, enquanto quem morre são os inocentes.

 

Eles matam por prazer, enquanto eu faço o que tem que fazer. Sei que não é a vida perfeita, mas é a única que eu vou ter.

 

E, quando vemos as atrocidades, por um segundo a gente se esquece. Apesar de dar nojo, a gente também é da mesma espécie.