marcos sirius

intempéries

quando somos jovens

esquecemos que somos novos

e que seremos velhos

 

deixamos de lado

o que nos torna único

e deitamos em nosso vazio

 

esperamos por dias melhores

parece que não estão numa estante

e nem em um olhar radiante

 

fomos tão bobos

lutamos contra o tempo

ele apenas continuou

como sempre fez isso

não nenhum trabalho árduo

 

mas parece que se tornou árduo

o tempo passou entre o nosso amor

e agora o que sobrou foi um pouco

um pouco disso, um pouco daquilo

um sentimento genuíno

 

acho que esqueci que um dia seriamos

a gente sentado aqui nesse banco

admirando o céu e a corrida dos outros

porque já não somos jovens

mas nunca mais envelhecidos do que o mundo

 

fico observando

viramos pra um lado e pro outro

e parece tão sério

 

levar as coisas mais leve

tem sido tão estressante

e deveria ser interessante

 

puder levar na brincadeira

mesmo nos dias de angustia

e principalmente nesses dias

 

porque a vida é mais do que o presente

ela anseia pela primaveira

e também por todas as estações

 

fomos tão bobos

lutamos contra o tempo

ele apenas continuou

como sempre fez isso

não nenhum trabalho árduo

 

mas parece que se tornou árduo

o tempo passou entre o nosso amor

e agora o que sobrou foi um pouco

um pouco disso, um pouco daquilo

um sentimento genuíno

 

acho que esqueci que um dia seriamos

a gente sentado aqui nesse banco

admirando o céu e a corrida dos outros

porque já não somos jovens

mas nunca mais envelhecidos do que o mundo

 

vejo os vinhos como nós

a cada giro do ponteiro

e as intempéries se tornam tão bons

 

a depender claro

da garrafa, do envasamento

e do acondicionamento

 

o amargor pode se tornar letal

assim somos nós

e os outros

 

nunca entendi muito

mas entendi cedo que

entender a si é mais fácil

 

e é sempre uma guerra

que parece nunca acabar