Olho para mim hoje
e penso na criança que um dia fui.
Uma criança atentada,
mas que, desde cedo,
escondia as próprias dores.
Eu brincava com a minha mãe,
mostrando as placas de \"No Smoking\"
e dizendo pra ela parar de fumar.
Hoje,
me olho no espelho
com um cigarro entre os dedos
e penso:
\"Quando foi que eu comecei a fumar?\"
Eu não deixei de ser atentado.
Só continuo quieto
quando o assunto
são os meus problemas.
Hoje percebo
que isso é só uma máscara.
Uma forma de evitar
que alguém pergunte:
\"Você tá bem?\"
Porque eu sei
que não vou conseguir responder.
E vou acabar mentindo.
E, sabe...
Eu odeio mentiras.