Versos Discretos

Sinfonia ao Luar

Nas sombras suaves da minha imaginação,
vejo a brisa desenhar a tua curva mais pura.
Esculpidas na noite, sem véu ou hesitação,
tuas formas traduzem a própria escultura.

Em silêncio, a penumbra abraça o teu corpo,
meus olhos percorrem teu relevo sereno.
Teus seios, dois montes onde o desejo se faz porto,
se erguem ao ritmo do ar que respiras, suave e pequeno.

Sinto teus dedos, como pétalas de fogo na pele,
despertando o mapa secreto do meu sentir.
Não há pressa no instante em que o tempo congela,
há apenas o compasso do teu próprio fluir.

Aos poucos, a dança rompe o manso riacho:
tu te elevas e desces no meu horizonte,
Cavalga a noite num galope ritmado e ritmado enlace,
onde a forma se entrega à nascente da fonte.

E no ápice mudo dessa arquitetura do prazer,
já não há mais mistério no que o verso escondeu:
despojada de tudo, sem nada a conter,
és a tempestade nua pulsando em cima do que é meu.