Ré Confessa
Aqui estou mais um dia,
Sob o olhar sanguinário do vigia.
Virei prisioneira da minha própria ira.
Sou ré confessa, exponho todas as feridas
De uma alma machucada,
Um corpo que nunca cicatriza.
Me condeno com a própria língua,
E a sanidade virou sinônimo de distopia.
Entre erros, acertos, mentiras e penitências,
Virei a ré e a juíza da minha própria vida.
Atrás das grades da culpa,
Faço da dor a minha moradia.
Me martirizo, me lamento,
Me torno cada vez mais distante,
Sem conseguir provar pra mim mesma
Que não sou mais a mesma de antes.