Há anos que não sabia
O que é ser um homem de aço.
Há anos que não recebia
De ti um abraço.
Mas é que ele não cabia
No meu regaço.
Era só dor e mais dor,
Mas o meu coração não é um qualquer.
Precisa de um dador.
Só podes ser tu a minha cura, oh mulher.
Ai, que o meu coração está no fim da linha.
É hoje que vou adormecer.
Por favor, brilha como só tu sabes, estrelinha,
Pois este coração precisa de voltar a enaltecer.
Como posso ser feliz,
Se cada vez que entro em cena
Lá estás tu com ele em contracena?
Isso mata-me por dentro.
Como posso ser forte,
Se ele se chegou à frente?
Ganhou o passaporte para o teu coração.
É impossível ser indiferente a tudo isso.
A corrente tende a apertar.
Este coração não aprende a libertar-se.
Como posso seguir a minha vida?
Sem ti não vejo mais a saída...
Não vejo mais a saída.
Não vejo mais a saída.
Não a vejo mais, não.
Não a vejo mais, não.
Não vejo, sim,
O dia da partida.
Perdi hoje a mão em mim.
Cá dentro já não resta vida.
Diz-me...
Como posso acalmar-me?
É que o teu coração...
Hoje, precisamente, encontra-se em aflição.
Não para de me chamar.
Eu quero virar a página,
Mas tu não me deixas.
Só queria esquecer-te,
Queimar de vez o livro!
Já não sei o que é sentir a troca de carícias,
Quando tudo o que eu queria era tocar-te.
Sem ti ao meu lado sinto-me a sufocar.
É difícil de acreditar, mas só um toque teu...
Só ele faria as minhas delícias.
Eu hoje, por magia, tenho...
Sim, tenho aquele abraço que só a mim contagia.
Sim, hoje tenho um abraço
Que corresponde ao do meu sonho.
Um abraço do tamanho do mundo.
Cada vez que recebo um abraço no sonho,
Cada vez que estremeço com um aperto teu,
Eu confundo-os.
Mas não são iguais.
Decerto não são iguais.
Mas não são iguais.
Pois o certo
É que, em comparação com os do sonho,
Os teus abraços são demais.
São demais...