Fábio Alves Leão

SILÊNCIO QUE GRITA

Vivo calado, mas dentro há um clamor,

De sonhos partidos, de ausências, de amor.

Sofrimento escondido, disfarce no olhar,

Enquanto o mundo passa sem me notar.

 

As decepções, em fileira, se deitam,

Como sombras noturnas que nunca se deitam.

Os medos, fiéis, não me deixam só,

Me envolvem em névoa, me tornam pó.

 

As saudades são cartas que nunca enviei,

De tempos dourados que não mais terei.

As lembranças, fantasmas que vêm me buscar,

Nas madrugadas em que insisto em lembrar.

 

Ilusões? Tantas, perdi a contagem.

E amores? Restaram-me só na bagagem.

Alguns se foram, outros nunca vieram,

Mas todos deixaram vazios que ferem.

 

Sentimentos que afloram, sem explicação,

Ao som de antigas canções do coração.

Refrões que embalam o que fui um dia,

Tocando a alma com melancolia.

 

Tudo isso eu guardo num cofre fechado,

Trancado a silêncio, escondido e calado.

Mas se escutares meu peito, com atenção,

Verás que o silêncio é um grito em canção.