Na curva suave da xícara de barro,
O vapor que dança, tão transparente,
Pausa os segundos, no tempo esbarro,
Ao segurar este líquido quente.
Como o destino que esmaga a semente,
Tirando do pó o seu negro dulçor,
Bebo o agora, sereno e crente,
Num gole de paz e de puro calor.
No espelho escuro dessa infusão,
Há transparência na minha verdade,
É pura ternura no coração,
Aconchegando a fria saudade.
O café é o instante que se eterniza,
Um grão triturado que ensina a viver:
A essência mais forte a dor suaviza,
E o que era pó, aprende a nascer.
Assim é a jornada, servida na mesa,
Precisa da espera, do filtro e do ar,
Para extrair, com toda a clareza,
O terno milagre do verbo amar!!