Vocês me sufocam,
Possuem as mãos más em volta de mim,
Impedindo-me de me compreender,
Empurrando toda a dor para minha garganta,
Alimentando esse bolo de angústia
Eu vivo a dor de vocês,
Mas a minha é sempre apagada.
São massivas todas as palavras cruéis,
É cortante toda a violência.
Vocês me obrigam a me odiar,
Como se amar a mim mesma
Fosse uma forma de traição.
Eu ainda tenho todo o veneno escorrendo pela minha vida,
Não importa se é passado,presente ou futuro.
Vocês atravessam toda a minha trajetória,
Seja na dúvida de que meus amigos me amam,
Na desconfiança de que nunca sou suficiente,
Ou quando atravesso uma rua sem sequer olhar para os lados.
E, ainda assim,
Existe ela.
Minha esperança.
Arranque a minha esperança pela raiz,
Não continue cortando-a pela metade,
Fazendo com que ela cresça mais e mais,
E no fim cortar-lá novamente.
Oh,a minha esperança de que possamos ser melhores,
De que meu pai abandone seus vícios.
De que minha mãe encontre paz para suas feridas.
De que minhas irmãs voltem a ser como antes.
Ah,minha querida esperança,
Presente desde a infância,
Não me maltrate dessa forma,
Ou,me partir diante de tudo,
Pois eu não aguento mais esperar pelo impossível.
Talvez tenha chegado a hora
De abandonar essa história
E começar a escrever a minha.
Mesmo que seja coberta Pela mais pura solidão.
Mesmo que seja escrita por uma poetisa semi-morta,
Que esconda nas entrelinhas
Um último pedido de ser compreendida.