Havia na Terra um pequeno garoto;
Que observava o céu desde a infância;
Todas as estrelas ele gostava de admirar;
Até que viu seu coração se cativar.
Toda noite ele parava para observar;
O astro que em todo o céu mais brilhava;
Aquele brilho que tanto o iluminava;
A estrela que ele tanto amava.
Após anos de intensa admiração;
Vendo-a se relacionar com cada constelação;
Tomou enfim uma grande decisão;
Para encontrá-la iria rumo à imensidão.
Estudou durante incontáveis manhãs;
Entre livros, cálculos e madrugadas;
Deixou de ser só um garotinho;
E se preparou para alcançar sua estrela.
Aquilo que ele tanto almejou;
Diante dele aconteceu;
Bem fundo respirou... Parou e decolou;
Criou coragem e o medo rompeu.
Disparou rumo ao espaço imensurável;
Procurando a razão daquele amor tão inefável;
E embora o caminho parecesse infindável;
Tudo valia a pena por alguém tão amável.
E pela primeira vez ele a viu;
Mais bela do que ousou imaginar;
Saiu da nave em sua direção;
E lentamente lhe estendeu a mão.
Mas o medo o segurou;
E fez seu braço recuar;
Temeu que um simples toque;
Pudesse seu brilho apagar.
Então apenas levou um pouco de sua luz;
E deixou com ela um pouco de si;
As palavras ficaram em silêncio;
Como sempre estiveram ali.
E ela continuou seu caminho;
Como fazem todas as estrelas cadentes;
E ele seguiu viajando pelo universo;
Levando sua lembrança para sempre.
Afinal, a natureza de uma estrela é brilhar;
Ela apenas seguia o próprio destino;
E foi olhando para aquela luz;
Que deixou de ser apenas um menino.
Talvez nem todas as estrelas;
Tenham sido feitas para tocar;
Algumas existem somente;
Para nos ensinar a voar.