Em algum lugar acima das nuvens, no topo de uma alta montanha, havia um mundo desconhecido e inalcançável pelo homem. E lá o Sol brilhava, mas não fazia real calor, nem real frio. E o vento era prazeroso se sentir. Era um mundo de sonhos puros e inocência e lá habitavam moças sem idade, porem tinham a beleza da juventude. Elas não sabiam o que era o tempo. Apenas existiam. Não lembravam de terem nascido ou de uma infância. Que elas soubessem sempre existiram ali e como o tempo passava diferente, não era angustiante nem atordoava. Era tudo como uma sinfonia sem fim.
Em cavernas adornadas de diamantes elas viviam, frutos nas árvores não faltavam, nem a grama verde. Elas tinham uma mente diferente da humanidade, não entendiam diferenças entre o bem e o mal, não compreenderiam os jogos humanos, eram sensíveis a tudo, e tudo para elas ali era apenas natural. Elas tinham pensamentos elevados, não pervertidos, não saberiam entender um relacionamento humano baseado em domínio e jogos de poder, ainda mais envolvendo o que os humanos chamavam de sexo.
Que nome estranho, elas pensariam, definição estranha para algo sem nome. Elas apenas sentiam, e faziam parte de uma unidade de amor em conjunto. O que os humanos chamavam de orgias eram coisas naturais entre elas. E ali nunca houve um homem na história.
Elas estavam apenas fazendo bem umas ás outras, e como seus pensamentos e imagens mentais nostálgicas as mantinham apenas livres, atingiam um nível de êxtase jamais imaginado por humanos.
Era tudo com sentimento, com leves toques, com poesia, as pernas, os cabelos, os seios, os lábios, as línguas. Para elas era considerado um presente de uma á outra poder sentir o sabor do que fluía, que era puro, diferente das mulheres humanas. E como fluía... Não saberiam dizer o que é ser lésbica. Elas apenas viviam em plena harmonia e sintonia.
Não havia violência, eram como anjos fazendo amor. Faziam isso ao sol, e faziam isso ao luar. As vezes uma ia visitar a outra em sua caverna e o cumprimento era um beijo que começava com macios lábios inocentes, e depois beijos pelo rosto, acariciando a face uma da outra, de olhos fechados. Os seios se esfregavam com delicadeza. Uma segurava as nádegas da outra como que num abraço e assim ficavam se beijando por um longo tempo.
Uma deitava na cama, e o que a outra fazia era diferente, ela beijava as pernas fechada e esticadas. Subia até o ventre, passava a mão pelas pernas e coxas e por todo o corpo da que estava deitada. O abrir de pernas era apenas natural, mas com carinho, a moça cuidava bem de cada lábio, cada pétala, e aos poucos abria seu caminho adentro da companheira. E isso era considerado apenas um cumprimento da manhã. Entrar lá dentro era uma brincadeira de deusas acima das nuvens. Sentir a outra por dentro era sagrado, beija-la por fora também.
Elas faziam movimentos e técnicas que os humanos desconheciam. Não era algo como apenas ver uma mulher comum se esfregando rápido e fazendo aquela cara estranha. Era algo mais. A língua desempenhava um papel especial, junto aos dedos que dançavam e bailavam. A massagem envolvia centros de prazer que só elas conheciam. E que só eram ativados pelo modo como suas mentes funcionavam.
Até o gemido delas era diferente, tinha alguma profundidade e sentimento, não era apenas um ser fazendo barulho. Isso ia, em um ritmo especial, até a moça deixada se esvaziar nos lábios e mãos da amiga. E depois fazia o mesmo com ela.
Isso lá era como almoçar, ou dormir. Estar neste nível elevado era vital para elas. E as orgias envolviam tantas moças, seios e pernas brancos, mamilos rosados e tantos carinhos e tantas bocas e línguas que uma não sabia onde uma começava e outra terminava.
As que já tinham banhado as companheiras saiam de pernas moles para sentar na grama mais longe. E tudo só tinha fim quando todas exalavam suas essências ao ar. Era como respirar. Não havia jogos, domínio, perversão, era como parte normal da vida. E o que elas sentiam acima das nuvens, nunca um ser humano seria capaz de sentir, pois ainda eram como animais. Elas eram anjos com emoções e sentimentos inatingíveis por uma mente comum.
E por isso essas coisas fazia tanto parte da vida delas, por que era como respirar, as mantinham vivas, as mantinham elevadas, suaves, sonhando em um êxtase que nem um Budista em peno nirvana poderia explicar.
Elas viviam umas das outras. Alimentavam os sonhos umas das outras. Compartilhavam, sem nem falar, sensações etéreas. Estavam tocando as estrelas em seu interior, quando faziam aquilo. Estavam apenas... sonhando. E não sabiam o que era acordar.
-Sonhador do Veludo Azul
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