O poder que tens sobre minha mente, redesenha o real
Reativa pontos adormecidos como enfeites no natal.
E indefeso em loucuras a navegar no teu mar
Perco-me neste emaranhado teu que não me deixa pensar.
Presenteio-te com minha própria vontade servida aos teus pés
Machuca-me e encanta-me , teu desdenhozo olhar
Entre os lábios prestes a sorrir ou falar diz-me que és
Olhos que ouvem e ouvidos a calar.
Escrevo rimas improváveis em bancos sem tinta ao luar
Prefiro ver as brumas que surfam nas ondas do mar
Mulher que me sorriu e desfez o que eu tinha
Fugi da realidade e entreguei-me na ilusão a naufragar.
Arthur de Mello Noos