Da janela do carro
vejo a paisagem.
Tão comum,
como se eu nunca tivesse visto.
Preso na rotina,
nem os olhos
percebem as mudanças.
Atravesso a semana
como se quisesse alcançar as nuvens,
em um futuro que nunca chega.
Como água sobre o óleo,
o que se foi não se mistura
ao presente.
Aos poucos se afastando
daquilo que queria ser,
esquecendo quem eu sou.
De repente, acordo.
Nesse carro,
encontro o descanso
para minhas mãos.
O ruído da rotina
ficou para trás,
de um passado esquecido
ao qual jamais quero voltar.
Acompanho o horizonte.
Imerso em sua beleza,
os olhos voltam a brilhar
como a chama que desperta
da lenha.
Da janela, o ar
acaricia o meu rosto.
Fecho os olhos
para sentir a sua presença.
Assim deixarei que o amanhã
venha mais uma vez.