Fábio Alves Leão

FRAGMENTOS DO SILÊNCIO

Morremos um pouco a cada adeus,

Em cada ausência que o tempo crava,

Como se a alma, entre sombras e breus,

Perdesse uma parte que já não voltava.

 

O luto não é só dor que se abriga,

É vazio que habita o que já fomos,

Rostos que amamos viram brisa antiga,

Vozes caladas que ainda escutamos.

 

Não partem apenas os que se vão,

Parte com eles o que em nós vivia

Um gesto, um cheiro, uma canção,

Uma estação inteira de alegria.

 

Mas nessa morte em suaves pedaços,

Também se esconde um renascer sutil:

Lembrar é refazer velhos abraços,

É manter o amor em forma gentil.

 

Pois se a dor fere, a memória cura,

E a saudade é o que nos torna eternos

Somos feitos de perda e ternura,

Fragmentos de um amor sem inverno.