Lucio Ântonio Garcia

Divino Veneno

Suponho que já deveria ter previsto.

Enxergando as nuances.

Entre as noites em claro.

Sonhando acordado.

 

O reflexo me encara com olhos avermelhados.

Decepcionado e, ainda, irritado.

Sufocado entre os delírios.

Perguntando-me qual a pior parte desse inferno.

 

Outra dose para conta.

Noites viradas sem dó.

Sim, é assim que acontece:

Eu, intoxicado.

 

Tão perverso e imoral.

Inibido de vergonha.

Maldito seja esse divino veneno.

Enquanto só posso culpar a mim mesmo.

 

Conheço os riscos. Com certeza!

Mas, como posso viver…

Se desejo apenas não acordar no dia seguinte?

 

Posso te dizer tudo aquilo que querem ouvir.

Sem mostrar. Sem revelar.

É mais fácil me intoxicar.

Essa é a graça.

 

Venenoso. Maldito intoxicante divino.

Afundo-me em sua luxúria.

Desejando não acordar.

Enxergando por completo.

 

Enquanto rezo para que esse poema acabe comigo intoxicado pelo seu divino veneno.