Sobre o sabor das coisas boas —
Não te direi pois não provei
Mas do sabor das sobras sei,
Não das sóbrias,
Mas sobretudo das noites não dormidas
E dos desejos, não-memórias
Conquistas que jamais serão vividas.
Sobraram imaginações afantásicas
E indagações fantásticas sobre um destino horrível?
Sobrou saber que nada dura tanto
Nem a eternidade
Ou o tempo, nem a percepção que tive disso.
Um dia ele sumiu num grande sumiço
De seu próprio círculo
Mas não estava fora, tampouco inserido
Na verdade, ele sempre foi o círculo
Cada etapa de seu próprio ciclo
Rodando como um disco
Infinito
Arranhando num vinil
Tocando um som patético para TODO o sempre.
(E apenas isso).