Diógenes Fabricius

Onde não quis

As memórias me tocam com um arrepio.

A luz amarela do poste me acende.

Foi debaixo de estrelas que você me matou.

Eu chorei sem lágrimas.

 

Meu corpo apertava minha alma.

De tanta rigidez, meus ossos quase quebraram.

Você deslizava na minha pele.

Não entendia:

que força me trouxe aqui?

 

Os rituais não se cansavam.

O entardecer se insinuava.

Sua voz me obrigava.

Um ápice em meio à dor.

Eu me fiz ruínas.

Voltava com lágrimas represadas.

Ninguém desconfiava.

 

Agora todo corpo é um alarme.

Você me colocou uma maldição,

porque tudo o que falo me condena.

Agora toda intimidade é tua cara.

 

Teus olhos revirados.

Minha pele arrepiada.

A culpa me enforcando.

Por que não gritei?

Eu me deitei onde nunca quis.