Nos escombros dos anos que se foram
procuro em meio aos cacos dos dias
que ainda soçobram nos tortuosos
escaninhos da memória que me resta
pedaços do mosaico do que antes eras
Resíduos de cheiros
sobras de algumas palavras ditas
detritos espalhados no chão dos meus gestos
resquícios ternos do verde dos teus olhos
no amanhecer das manhãs em que hoje acordo
Na incompletude do teu rosto que me lembro
continuo me vendo refletido em um espelho
que no escuro fundo das noites findas
permanece brilhando como uma estrela distante
a retratar aquele que um dia foi teu menino